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1_Pessoas_Velhas - Sem Pausas...Vírgula!

Pausas e Vírgulas, você parou?
Se parei?, virgula.
Fiz uma pausa, tão só...
Mas veja como continuo;
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LITERATURA > Crônicas > MIGUEL ANGEL PEREYRA
15/07/2024
Miguel Angel Pereyra
Um portoalegrense argentino escrevendo Crônicas

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Pessoas "Velhas"
Os “inuits” ou esquimós tinham uma maneira muito rápida de se livrar do “peso morto” que para eles significava os velhos vivos. Saíam de trenó - a família toda - e deixavam o ancião ao relento, quem logo congelava. E o ancião concordava sendo assim senhor de sua própria morte. Dizem que é uma morte doce e sem dor, e essencialmente rápida. Mas, como é de imaginar, não há testemunhas vivas que o comprovem.
Independentemente disso, sua cultura permitia que o trâmite fosse cumprido sem culpa, e cujas derivações, isto é a morte provocada de um ente querido, fossem aliviadas também pela crença da reencarnação.
Então cada criança nascida era reencarnação de um antepassado. O cuidado e amor por elas eram então a principal tarefa desses povos. Demonstravam assim profundo respeito aos seus ancestrais e cuidavam da sua permanência neste mundo.
Falo no passado porque desconheço como processam esses povos essas mesmas situações na atualidade.

Nossa civilização tem outra maneira de tratar o assunto. A velhice, teoricamente, está protegida. Existem muitas leis e declarações que assim o asseguram. Assim como as crianças.
Mas a nossa cultura ou nosso imaginário, talvez tenha regredido porque cada vez há mais velhos (e crianças) abandonados, ou talvez tenhamos avançado muito, porque o avanço científico faz que as pessoas vivam cada vez mais, e para isso não havia preparo.
Alguns anos antes, os que chegavam a ser anciãos eram os mais fortes. A tal de seleção natural. Hoje somos muitos os que chegamos a idade avançada, e não é preciso ser o mais forte e sim contar com vida e medicina de qualidade.
Naquelas épocas os avôs viviam em casa. Com as crianças, nós seus netos e nossos pais, seus filhos. Éramos três gerações compartilhando espaço e culturas.
Os avôs morriam em casa, rodeados da família. Eram também, vamos a assim dizê-lo, senhores de sua própria morte.

Hoje, esses casos são muito poucos. Têm aparecido as Instituições de Longa Permanência para Idosos conforme a norma federal correspondente.
Embora correta na intenção de regulação da problemática, na minha singela opinião, mistura os graus de dependência que possamos chegar a ter em idade avançada.
Mais que idoso eu prefiro a frase popular “homem velho” ou "mulher velha", com o substantivo em primeiro lugar. Usando termos já mais apropriados a uma boa legislação a palavra geronte (vem de senador da Ilha de Creta, na Grécia Antiga) é mais precisa, já que significa literalmente pessoa maior de sessenta anos, mas não doente e também não dependente.
Isto significa que não todas as pessoas sessentonas são inúteis nem dependentes. Não precisam de proteção especial maior que a fornecida às pessoas jovens que são hóspedes de um hotel. E sendo necessário morar sozinho seria o caso de apart-hotéis especializados.
Já os “gerontes” doentes são assunto da geriatria que se ocupa especificamente do diagnóstico e tratamento das doenças dos homens e mulheres velhos.
Nesses casos, a legislação deve dar a mesma atenção dada à saúde pública na sua globalidade.

E em situações de dependências de graus elevados, já não serão apropriados os Instituições de Longa Permanência para Idosos .
Precisam-se espaços de permanência prolongada e permanente, com os equipamentos próprios aos estabelecimentos assistenciais de saúde. E a mesma dedicação dada às pessoas jovens que se encontram doentes.

Na nossa formação cristã colocamos a vida humana como o bem mais precioso que temos e estamos convictos que na nossa sociedade não devem existir “pesos mortos”. O que há são pessoas vivas. E todas devem ser cuidadas e protegidas de acordo às suas necessidades.

E havendo casos – poucos por sorte – nos quais essa intenção de cuidados não exista, é bom notar que estamos num país de clima tropical e morte por congelamento seria quase impossível.
Mas os que moramos na região Sul devemos prestar atenção...por via das dúvidas. Humor nós salva...

Sociedade solidária e amorosa com atenção de todos para todos.
Tema musical
Durma meu Filhinho
No piano: Miguel Angel Pereyra
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O autor da presente crônica escrevia no jormal "Folha de Canela".
O tema aqui desenvolvido foi publicado no mês de fevereiro de 2013.
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Sem Pausas...Vírgulas!

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