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05/10/2026
Os Diálogos de Justo Lucas
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Ancianidade e Adolescência
Continuação do diálogo
Foi numa tarde outonal que a neta começou a fazer perguntas.
Mais uma tarde de outono serve de cenário para o novo passeio
em que neta e avô retomam o diálogo interrompido há alguns dias.
E, claro, ela volta com suas perguntas.

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Vovô, sei qual é a sua profissão,
mas conte-me sobre todas as suas atividades profissionais.
Bem, tua pergunta nos leva a épocas em que eu já era adulto.
Ou seja, já tinha passado pela juventude e já ia deixando para trás a década dos meus vinte anos.
Minha profissão, como tu sabes, é a arquitetura.
Embora eu também tenha sido professor na Universidade Católica da cidade de Santa Fé, na Argentina.
Aqui no Brasil, na Unisinos e na ULBRA, em suas respectivas Faculdades de Arquitetura,
e no Centro de Estudos Continuados, na área de arquitetura hospitalar.
Atualmente — e isso tu também o sabes —, estou aposentado.
Embora, em certos momentos, eu volte a me aventurar novamente
com a prancheta, os esquadros e a régua tê.
E claro que também o CAD, ou seja Desenho Assistido por Computador.
Vovô, o que você mais gosta no seu trabalho como arquiteto?
Começar com a análise de um terreno vazio e finalizar o processo
entregando as chaves aos proprietários, com uma construção pronta para uso.
Considerando que o futuro é, como escreveu Jorge Luis Borges *1, "a esperança do presente"
— e para o qual é necessário traçar planos e ter objetivos — cito a seguinte frase de origem bíblica:
"Baste a cada dia o seu próprio esforço".
Vovô, em todo o tempo em que você trabalhou como arquiteto,
qual foi o momento que o marcou e de que você sempre se lembra?
Projetei uma casa para uma família. A filha tinha cerca de 5 anos.
Reencontrei-a quando ela já tinha 18 anos; ela me abraçou, me beijou e disse:
"Obrigada pelo espaço tão amoroso e confortável que você projetou para mim, e do qual continuo desfrutando".
Vovô, sua resposta a esta seguinte pergunta é muito importante para mim:
o que você considera o mais importante na vida?
Embora pareça redundante, o mais importante é a própria vida. E, nela, tentar não fazer mal aos outros.
Isso significa ter valores regidos por princípios de honestidade e retidão de conduta.
E, nesse caminho, poder colaborar com alguém que precise. Não acredito que haja outra maneira de fazer o bem.
Lindo isso, vovô. Vou guardar isso sempre comigo.
lembre-se de que é imprescindível saber se colocar no lugar de quem precisa da sua colaboração,
para que ela seja realmente útil para essa pessoa.
E, depois, oferecer a ela a oportunidade de lhe fazer um favor.
E, depois, oferecer a ela a oportunidade de lhe fazer um favor.
Essa eu não entendi, vovô.
André Maurois *2 , escritor francês, esclareceu bem essa situação, já que ninguém tem simpatia por seu credor.
E, por outro lado, quem não precisa de colaboração? Nem que seja apenas alguém lhe servir um café com carinho,
quando você não tem como prepará-lo para si mesma?
Agora ficou bem claro para mim, vovô.
Diga-me, minha querida neta, tens mais alguma pergunta?
Sim, vovô. Na música, que temas ou autores você ouvia?
Eu gostava e gosto de música clássica. E, como já lhe contei, quando eu era criança,
aos domingos de manhã, eu fazia o papel de "DJ" para o meu pai com discos de vinil e,
sob a orientação dele, ouvíamos preferencialmente música clássica:
Bach, Chopin, Beethoven, Mozart.
Depois veio a época da música popular dançante: bolero, valsa e um pouco de tango.
Vovô, continuo com perguntas sobre seus gostos no cinema e na TV naquela época:
quais eram seus filmes, seus artistas e seus programas favoritos?
Filme: Amadeus / Personagens: Juan Verdaguer (Argentina) / Chico Anysio / Programa: Tato Bores aos domingos (Argentina).
Vovô, o que você fazia nos seus momentos de lazer?
Meu lazer preferido na década de 1980, era a prática de corridas nas
ruas de Porto Alegre, sendo um dos pioneiros dessa atividade .
Eu corria praticamente todos os dias. E era um grande prazer.
Há algo que você se sinta muito feliz por ter vivido?
Na minha vida, houve pessoas anônimas que colaboraram comigo em momentos difíceis.
Isso sempre me traz muita alegria. E o que me deixa muito feliz
é ter sido também essa pessoa anônima para vários irmãos quando eles precisaram.
Vovô, assim como eu, você usa e vive o mundo de hoje.
O que mais mudou nele desde a sua juventude?
A tecnologia da comunicação. As emoções humanas continuam sendo as mesmas.
O que você considera melhor no mundo desde a sua juventude?
O fato de que, apesar dos aspectos negativos de antes e de hoje,
sempre há companheiros de jornada dispostos a colaborar uns com os outros.
E, claro, no âmbito pessoal grato pela familiar que possuo.E alegria de ter a ti e as tuas primas como netas, com minha eterna gratidão
às avós, aos meus filhos e seus cônjuges que tornaram essa situação possível.
Houve uma pergunta anterior sobre o que me faz sorrir... e acrescento à “sopa”
mencionada como motivo, a presença de vocês na minha vida.
Vovô, somos nós que agora sorrimos chorando.
Um beijo enormeAQUÍ ESTOU !
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Autor do texto do Diálogo
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Tema musical
Piano CalmoMúsica e imagem são do site pixabay* * * * * *
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