LITERATURA > Contos
25/07/2024
Miguel Angel Pereyra
Um porto alegrense argentino fazendo contos
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Fio de Bigode
René
2ª Parte
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Naquelas épocas era comum procurar damas de companhia para senhoras “decentes”,
pois suas presenças ao lado das senhoras sustinham decências.
Eram trazidas do interior porque se suponham inocentes, e também porque custavam muito pouco.
Seguindo os costumes e suas próprias necessidades, “A Senhora” procura uma dessas adolescentes
primitivas e a leva para a cidade como sua dama de companhia.

René, assim se chamava,
moraria num pequeno quartinho no andar superior do prédio, onde também
funcionava uma pensão familiar, de grande reputação,
que “A Senhora” administrava com mão de ferro.
A uma René pensativa o por do sol desse dia lhe apresentava,como o tinha feito todos os dias de sua vida,

com infinitos matizes de cores e desenhos.
E como sempre também, ela ia levando as vacas para o estábulo para passar a noite.

Depois a janta e teria que ir dormir cedo, pois às cinco da manhã
teria que acordar para ordenhar as vacas,
preparar junto à sua mãe o café da família... e... o dia recomeçaria.
Ela era uma moça, bonita, com o corpo tenso, ágil e acordando à condição de mulher plena.
Era também forte e resistente.

Tanto que fazia o mesmo trabalho que seus dois irmãos faziam e ainda
realizava o trabalho de “casa”, auxiliando a mãe.
Esta, submissa e anônima era a companhia ideal para o pai. Não somente porque lhe servia,
mas também porque ajudava na criação dos filhos nos seus mesmos moldes.
Homem de campo, áspero e protetor da sua família, sensível à doença
de um animal ou ao nascimento de um bezerro,
mas totalmente alheio ao brotamento da filha.
E não por falta de amor paternal e sim por que ignorava como conduzir esse processo.
René era, para ele, realmente um problema insolúvel... nessa solidão agreste...
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Tema musical
Arraiá do SolMúsica e Imagens são do site pixabay* * * * * *
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