LITERATURA > Contos
04/10/2024
Miguel Angel Pereyra
Um porto alegrense argentino fazendo contos
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Não é não, mas sim... é sim !
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A “dona do lar” na casa dos 35 anos, contratou uma jovem mulher
para que colaborasse com ela na higiene e ordem geral da casa.
Precisava, pois tinha três filhos, dois guris de 5 e 9 anos, e uma guria pré-adolescente...brrrr.
O marido, ele com uns 38 anos, trabalhava no setor de vendas de uma empresa bem conceituada.
Viajava muito e era comum estar ausente durante vários dias.
Fazia um mês a família tinha sido retratada, e a foto estava em lugar de privilégio da sala.
A colaboradora recém contratada, depois de analisar atentamente a foto, lhe perguntou:
- O Senhor, da foto, é seu marido?
- Sim o é;
-Eu o conheço, Senhora.
- Ah sim? E como e de onde o conheces?
- É que eu também presto serviço a uma senhora, que mora no bairro Novo.
- Não entendo que tem a ver.
-Acontece que e o Senhor da foto, seu marido, é o namorado dela.
A senhora , regente severa e muito cuidadosa da sua família, a demitiu na hora.
- Mas Senhora...isso que falei é um fato...!
A resposta foi crua e instantânea:
- Isso, entre nós, não interessa.
Na minha casa não há espaço para fofocas.
E a colaboradora, no seu primeiro dia, passou a usar o prefixo “ex”.
O diálogo dela com seu marido, no retorno da sua viagem,
foi como mínimo bem interessante... e tal vez satírico.
A esposa questiona o marido, com extrema veemência,
frente à que o marido responde, com muita calma:
- Sim meu amor, é verdade.
- Tu me trai e agora o confessas com tranqüilidade e inocência...
que barbaridade!
- Eu no te trai, não. Pelo contrário, é uma atitude de amor e respeito.
- Como assim?
- Sexo entre nós, não acontece faz anos.
Na minha última tentativa de fazê-lo falaste, textualmente:
“ Não é não, e tens que aceitar o fato ”.
Eu o fiz e nunca mais te procurei para tê-lo.
- Lembro, sim...e agradeço a tua compreensão...
mas, e a "outra"?
- Eu continuo te amando. Como o primeiro dia que te conheci,
e nossa relação é pura...
já que a castidade impera...não há pecado, querida!
- Repito a pergunta, e a "outra" que papel joga nisso todo?
- É que ela disse, sempre: “sim é sim”,
frente ao que lhe guardo o devido respeito e obediência.
-...!...?
- Mas a minha relação com ela, não há amor...
só pecado...podes ficar calma e tranquila.
Ela, muito confusa e sem argumentos para rebater a lógica dele, só atinou a dizer:
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- Amor, com o café, queres bolo... como sempre?
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Tema musical
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