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Estou_Só - Sem Pausas...Vírgula!

Pausas e Vírgulas, você parou?
Se parei?, virgula.
Fiz uma pausa, tão só...
Mas veja como continuo;
Sem Pausas...Vírgula!
Sem Pausas...
...Vírgula !
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Sem Pausas...Vírgula!
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LITERATURA > Contos
01/10/2024


Miguel Angel Pereyra
Um porto alegrense argentino fazendo contos
* * * * * *
Estou Só
* * * * * *
A proposta é retroceder no tempo.
 E tentar, dentro do possível, compreender os símbolos das épocas que serão acessadas.
 Século XX, até a década dos 70.
 Casal tradicional, ou seja, esposa, esposo e três filhos.
 Foram por assim dizer, envelhecendo os cinco simultaneamente.
 Dentro de casa era ela, a esposa, a que ordenava tudo.
 Desde a semântica de arrumação e higiene gerais,
até aquela de “mandar” aos integrantes do grupo familiar, outorgando-lhes tarefas
e dominando aspectos na sua vida pessoal: roupa, penteados, comidas, estudos...etc.
Digamos era mãe, esposa, professora, ou seja a “alma mater” da família.
O marido, cabeça do casal na teoria, era o autêntico e esforçado provedor.
Função que cumpriu sempre com especial dedicação e eficiência.
Eles se amavam e foram, sempre, parceiros amigos,
o que fez realidade o sucesso das suas vidas em comum.
Mas o tempo é inclemente e os anos se passaram.
Os filhos cresceram...casaram...e os fizeram avôs.
Ele seguiu trabalhando e ela continuou na sua tarefa de “dona do lar”.
Dona no sentido estrito de possuidora do mesmo.
Mas a idade fez que ele se aposentasse,
e as horas que ele passava na empresa passaram a ser gastas no lar.
Ela se incomodou frente ao que sentiu como uma “invasão”,
e um dia de ira sem motivo, lhe falou sem pensar muito:

- Olha tchê. Estás incomodando nos serviços domésticos.
Farias muito bem em ir trabalhar,
ao contrário de mostrar a todos essa a tua preguiça!

E ele respondeu, sem se alterar:

 - Mas querida, eu estou aposentado porque trabalhei a vida toda...
e já estou com 75 anos nas costas.

 - Eu tenho 60 e continuo...
então porque tu não sais com esses vadios dos teus amigos.

- Eu gostaria muito, mas não dá.
- E porquê não dá?...Poderias me explicar?
- Claro que posso, eles estão todos mortos...e eu...estou só...

 Ela ficou paralisada e a ira desapareceu no instante
Ai olhou para ele como o fazia antes, chegou perto dele e no ouvido lhe disse:

 -Amor, não estás só...eu estou aqui...

 O beijo que se deram foi demonstração da vida comum de amor e parceria.
* * * * * *
 O que os acompanhou até o último dia de suas existências.
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Tema musical
Solo de Piano
Música é do site pixabay
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Sem Pausas...Vírgulas!

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