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O_que_Falta - Sem Pausas...Vírgula!

Pausas e Vírgulas, você parou?
Se parei?, virgula.
Fiz uma pausa, tão só...
Mas veja como continuo;
Sem Pausas...Vírgula!
Sem Pausas...
...Vírgula !
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Sem Pausas...Vírgula!
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LITERATURA > Contos
25/07/2024


Miguel Angel Pereyra
Um porto alegrense argentino fazendo contos
* * * * * *
Observa quanto é o que falta, ou...?
* * * * * *
O seu pai tinha severos problemas de locomoção.
Deformações nas juntas e dores permanentes.
Naquelas épocas, segunda metade do século XX,
essas pessoas não eram descriminadas com o “apelido” de “descapacitadas”.
Para essa criança o pai tinha limitações no seu caminhar... físico.
 
Só nisso...

Leituras interessantes eram por ele indicadas, tais como:
Sandokan de Emilio Salgari.



Jerry das ilhas, O Apelo Selvagem, Caninos brancos e outros de Jack London.


 
Demian de Hermann Hesse...etc.

Revistas tais como Billiken, El Tony, Patoruzú, entre outras.


E a música... o guri daquelas datas, fazia o papel do que hoje seria chamado de “disk jockey”.
 
Domingos pela manhã, na cama dos pais, em um toca-discos que funcionava auxiliado pelo alto-falante do rádio
- o que hoje é considerado uma antiguidade –


Nele se ouvia Beethoven... Chopin... Bach... e também folclore argentino,
e como de saudades este conto trata a lembrança está dirigida
à zamba de Ariel Ramirez de título A Tristezinha.
O tempo passa... quando se olha para o “futuro” é lento,
mas olhando do presente ao passado, a sensação é de alta velocidade...
 
Quando o guri já era um adolescente a família tinha se mudado
a um apartamento num sétimo andar de um prédio, uns dos primeiros nessa pequena cidade do interior.
 
O elevador deixava de funcionar com freqüência, e o técnico não sempre estava disponível.
Aparecia nesses casos “o banquinho salvador”.


O filho descia com ele e se encontrava com o pai no andar do térreo.
Ambos começavam a subida e o filho auxiliando o pai.
 
Como ele o fazia?
Ai ficava explícita a serventia do banquinho...quando o seu “velho de 45 anos” cansava,
sentava-se no banquinho que seu filho carregava, e dessa maneira repunha suas forças para depois continuar.
 
Em uma dessas subidas, quando estavam no 5ª andar, o filho fala para o pai:
-Ó pai, ânimo, faltam somente dois lances...
 
- Filho, quero me sentar e te peço que escutes com muita atenção o que te vou dizer.
 
Já sentado e olhando bem nos olhos do adolescente lhe fala, com firmeza mas, também com doçura:
 
- Nunca mais fales do que falta, e sim, sempre!... do que já foi feito.
 

Até hoje, o adolescente já ancião disso se lembra.
* * * * * *
Tema musical
A Tristezinha - Zamba
No piano: Miguel Angel Pereyra
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Sem Pausas...Vírgulas!

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