LITERATURA > Contos
03/08//2024
Miguel Angel Pereyra
Um porto alegrense argentino fazendo contos
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O Pato da Festa
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Como Dalzio vinha falando em ou de tristeza, vou contar a história de um triste.
Quem não encontrava consolo.
No seu peregrinar procurando-o, consulta um médico famoso.
Dessas eminências cuja fama provém do seu vasto conhecimento e sucesso contínuo.
Em diagnósticos e curas.
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Identificação dos Personagens
No consultório do médico mencionado, se produz o seguinte diálogo
NP: boa noite, Doutor Vade Mécum
Dr.: boa noite Senhor Nord Perduto
NP: sua fama me trouxe a este, seu consultório, Doutor Vade Mécum. O escritor argentino, Jorge Luis Borges escreveu que o futuro
é a esperança do presente e, hoje, o Sr. é essa, a minha esperança Doutor.
Dr.: fico lisonjeado por tamanha confiança. Tentarei fazer jus à mesma. Que mal o atinge, meu amigo Nord Perduto?
NP: minha alma está muito triste e não há forma que não contagie a minha mente. Ai é que entraria o Senhor que com sua ciência psiquiátrica, talvez possa mudar a minha conceituação da condição humana. Ou como mínimo, receitar algum medicamento que anule a parte do cérebro que se comunica com a minha alma.
Dr: Senhor Perduto, não vejo a maneira de fugir dessa condição. Só se abandona a matéria, e ainda sim não se sabe que virá depois. Aí é fé... e sobre isso, cada um tem a sua. Mas qual o cerne da sua...ejem...moléstia?
NP: resumindo, é o choque entre nossa ambição e as possibilidades reais de satisfazê-la. A condição humana quer e nossa mente tenta. E como não há possibilidade de sucesso, a frustração e cotidiana. Ambição, para ser verdadeira, não pode ter limites... Nossos talentos e forças, sim os têm.
Dr: a fé e a religião (ou falta dela) tratam da alma. Eu, sinceramente, não tenho remédio para ela sarar, ou como mínimo, acalmar seus males. Mas talvez o Senhor, como parece estar meio perdido, esteja confundindo sintomas. Poderia ser mais explícito?
NP: vou tentar sê-lo contado-lhe uma fábula da autoria de Trilussa, Doutor.
Dr: estou lhe ouvindo...
NP: nos inícios dos tempos, Deus mostrava ao Adão, nascido do barro e do Seu sopro divino, as belezas do planeta Terra.
-O que vês, falou Deus, te pertence e podes desfruta ló ao teu livre arbítrio: a terra, o mar e quanto te apeteça. Menos o céu, porque o céu é Meu.
- Que pena, lhe respondeu Adão, queixoso. Porque não me o das também? É tão belo!!!!
E assim sendo desde os inícios dos tempos, nos encontramos numa armadilha da qual não temos achado a saída. Desejamos o que não podemos conseguir. E apesar da consciência que temos desse fato, não poupamos esforços nem crueldades para consegui-lo!!!
Dr: olha Senhor Perduto... lhe repito que não há remédio médico para isso. Mas acho que tem uma solução.
NP: falei que o Senhor era minha esperança do presente. Fale, por favor.
Dr: Sr. Perduto, neste sábado próximo tem que assistir no teatro da cidade, ao grande cômico Jocus.
Ele é genial. Apresenta uma forma do humor que é a resposta cabal aos seus questionamentos.
Agora, a partir de setembro, ele enaltece o inverno e nos faz rir ridicularizando a primavera.
A partir do mês de junho, ele enaltece a primavera e também provoca nosso riso ao ridicularizar o inverno.
NP: mas Doutor...ouça...
Dr: Senhor Perduto, ouça você o que estou lhe dizendo. Vá que o Sr. vai mudar essa sua tristeza..e a trocará por alegrias... se seguir meu conselho e assistir a apresentação do Jocus, o Senhor o comprovará.
NP: lamento Doutor, mas não vai dar, não. É impossível ....
Dr : Mas porque é impossível, Senhor Perduto?
NP: porque, meu querido Doutor, porque...esse grande cômico, o Jocus...sou eu.
Tema musical
Caminho para CasaMúsica e imagem são do site pixabay
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Fábula "O Descontente"de
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